Publicador de conteúdo web

Temas

Colheita

A colheita de frutas e hortaliças pode ser realizada em três modalidades: (A) Colheita manual; (B) Colheita auxiliada – Plataformas Móveis e (B) colheita mecanizada. Apesar de todas as mudanças e avanços tecnológicos vivenciados pela agricultura mundial, frutas e hortaliças para o mercado fresco – in natura – ainda são colhidas predominantemente de forma manual. A colheita manual tanto no Brasil como em outros países ainda é realizada da mesma forma que 40-50 anos atrás, ou seja, por exemplo no caso de frutas, com sacolas de colheita e escadas. Atualmente a pressão para mudanças é enorme, devido a fatores, tais como a diminuição na disponibilidade de mão de obra e esta cada vez mais onerosa. As razões podem ser como no Brasil, devido a mudanças socioeconômicas ocorridas nos últimos anos ou como em outros países, por outras razões, como legislação imigratória mais restrita, etc. Dessa forma, é fundamental o desenvolvimento de alternativas para a colheita manual tradicional que proporcionem melhores condições de trabalho e melhoria da eficiência do sistema.

Para saber mais acesse:

FERREIRA, M. D. ; MAGALHÃES, P.G. Colheita - Capítulo 1. In: Marcos David Ferreira. (Org.). Colheita e beneficiamento de frutas e hortaliças. São Carlos: Embrapa Instrumentação, 2008, p. 13-22. PDF
Apresentações orais e pôsteres do International Symposium on Mechanical Harvesting & Handling Systems of fruits and nuts. Este simpósio internacional ocorreu de 02-04 de abril de 2012, no Citrus Research and Educational Center, University of Florida, Lake Alfred, Florida, Estados Unidos e a comissão organizadora disponibilizou as apresentações orais e pôsteres apresentados no evento. Importante fonte de informação sobre o tema colheita de frutas. Link

Colheita manual

A colheita manual utiliza sensibilidades natas ao ser humano, como visão e tato, e um colhedor bem treinado pode realizar a colheita com eficiência, porém observa-se que esse treinamento nem sempre ocorre e, como esta mão de obra é sazonal, é importante que seja realizado com frequência. Verifica-se também que, além do treino para a colheita per se, com, por exemplo, a não colheita de frutos com defeitos, etc, também é fundamental o conhecimento das Boas Práticas Agrícolas – BPA e da manipulação do fruto, evitando-se impactos excessivos. Diversos estudos apontam diferenças na qualidade de frutos na gôndola do consumidor daqueles provenientes de colhedores mais ou menos cuidadosos. Desta forma, apesar da importância da colheita no sistema produtivo, poucas empresas preocupam-se, nesse treinamento inicial, com estes três pontos: (1) Padrão/Ponto de Colheita do Produto; (2) Boas Práticas Agrícolas; (3) Impactos. Apesar do grande avanço do Brasil como fornecedor mundial de alimentos, devido a avanços tecnológicos, ainda é muito comum, em relação às principais frutas e hortaliças, observar colheitas sendo realizadas como há 30 e 40 anos atrás, sem os cuidados principais listados acima. Para algumas culturas, tal situação pode ser agravada onde se realizam a colheita e classificação concomitantemente, portanto, o treinamento é fundamental. Por exemplo, para o morango destinado ao consumo fresco, a colheita e classificação são realizadas nesta situação – simultaneamente -, porém, para uma eficiência do sistema, além do preparo prévio do colhedor, é fundamental que o campo de produção esteja com boa uniformidade, pois em muito auxiliará a qualidade final deste produto. Atualmente, existem no mercado diversos aparelhos e suprimentos que podem ajudar no processo de colheita, com melhor fornecimento de condições para o produto, como também para o colhedor. As sacolas de colheita vêm sendo utilizadas para diversas culturas no Brasil há muitos anos, porém a sua qualidade, do ponto de vista de proteção ao fruto e condição física para o colhedor, ainda é muito discutível. No Brasil, em geral, utilizam-se sacolas de lona, com somente uma alça, sendo que o ideal são sacolas com maior suporte para as costas do operador. A colheita manual, pode contar com auxílios, como a esteira utilizada para remover batatas do solo, e facilitar a colheita desta. Importante, lembrar que de acordo com o tipo de solo, pode ocorrer agregação deste ao tubérculo, e de difícil retirada.

Fotos: Marcos David Ferreira

Colheita com equipamentos de auxílio – Plataforma móveis

A colheita com equipamentos de auxílio à colheita – com o uso de plataforma móveis – pode ser considerada uma importante alternativa para países aonde a mão de obra torna-se cada vez mais escassa e é fundamental o fornecimento de melhores condições de trabalho. Conforme já mencionado, a colheita de frutas e hortaliças para o consumo in natura é predominantemente desempenhada de forma manual, sem o uso de equipamentos de auxílio. Tal fato ocorre principalmente devido à sensibilidade do produto ao manuseio e à demanda por colheitas múltiplas. Nos últimos anos, no Brasil e em outros países, têm sido realizados estudos para a elaboração de equipamentos que auxiliem a colheita com o objetivo de diminuir seu tempo e os custos de produção, melhorando as condições de trabalho com menores custos sociais. Outro benefício buscado por esses equipamentos refere-se a concentrar em campo todas as etapas colheita, beneficiamento e classificação –, com uma economia de tempo e custos operacionais.

Texto adaptado de: Ferreira, Marcos David . Colheita, beneficiamento e classificação em frutas e hortaliças. In: Marcos David Ferreira. (Org.). Tecnologias pós-colheita em frutas e hortaliças. 1ed .São Carlos: Embrapa Instrumentação, 2011, v. 1, p. 99-115. Livro texto utilizado no curso tecnologia pós-colheita de frutas e hortaliças.

Para saber mais acesse:

SANCHEZ, A. C.; FERREIRA, M. D. ; MAGALHÃES, A. M.; BRAUNBECK, O. A.; CORTEZ, L.A.B; MAGALHÃES, P. S. G. Influência do auxílio mecânico na colheita de tomates. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, SP, v. 26, n.3, p. 748-754, 2006. Link


No Brasil e no mundo estes estudos tem sido realizados em diversas culturas e aqui serão demonstrados alguns exemplos para auxílio à colheita de tomate de mesa e laranja.
A colheita auxiliada para tomate de mesa é um desafio, pois ele é cultivado com tutoramento, ou seja, estaqueado ou envarado, caracterizado por colheitas múltiplas, enquanto que o tomate para o consumo industrial é cultivado sem tutoramento, em cultivo rasteiro, com colheita única. Portanto, perante essa conjuntura, foi desenvolvido na Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, o projeto Unidade Móvel de Auxílio à Colheita – UNIMAC, (figuras abaixo) para colheita, beneficiamento, classificação e embalagem do tomate de mesa no campo, reformulando o sistema tradicional existente desde a colheita até o consumidor final. Este projeto iniciou-se em 2002 e finalizou em 2007. O objetivo principal deste equipamento foi o de melhorar a situação atual onde o produto colhido é transportado para uma unidade de beneficiamento, promovendo redução significativa do tempo requerido para a colheita e beneficiamento, bem como o de diminuir o manuseio e com isso a incidência de impactos, além de promover colheitas múltiplas em condições ergonômicas de trabalho para os colhedores.

Fotos: Marcos David Ferreira

Para conhecer melhor este projeto acesse o link e veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=llTTg_psayo

Para a cultura da laranja, a situação é diferenciada da mencionada anteriormente. O Brasil é o maior produtor de laranja do mundo. A safra nacional de laranja em 2008 totalizou 18.538,084 toneladas (454,4 milhões de caixas de 40,8 kg), da qual São Paulo participa com 78,4% da produção (IBGE, 2009). Cerca de 60,0% do suco que circula no mercado mundial são de origem brasileira, em particular de laranjas e demais cítricos cultivados em São Paulo (IBGE, 2009).

A colheita manual para citros é atualmente a mais utilizada na totalidade das propriedades, e é comparativamente mais difícil de ser executada do que a de outros produtos, em razão da altura e arquitetura da planta, da desuniformidade de maturação e da exigência do mercado.

Foto: Marcos David Ferreira

Em muitas ocasiões, ocorre a derriça, que é a colheita do fruto, com queda direto no solo. A escassez da mão de obra e as transformações econômicas sofridas pelo país levaram várias empresas, em especial do interior de São Paulo, a buscarem alternativas. Dessa forma, nos últimos anos, plataformas de auxílio à colheita têm sido testadas no interior do estado de São Paulo, verificando a possibilidade de uso alternativo para a colheita manual. O objetivo comum dos equipamentos testados é o de realizar a colheita da laranja em plataformas, de maneira ágil e proporcionando condições adequadas aos operadores.

Derriça (Foto: Marcos David Ferreira)

Colheita de laranja com plataformas móveis

A colheita da laranja tanto para consumo in natura, como para a indústria, no Brasil, é predominantemente manual, podendo ser considerada de alta complexidade, em função da altura e arquitetura da planta, da desuniformidade de maturação e das exigências do mercado consumidor. A colheita totalmente mecanizada para laranja no mercado fresco enfrenta vários desafios; entre eles, os danos ocasionados à planta e aos frutos, e a desuniformidade nos frutos colhidos. Desta forma, uma alternativa mediadora é a colheita por meio de plataformas móveis (figura abaixo). Nestes equipamentos, o colhedor está mais bem posicionado ergonomicamente, podendo realizar a colheita em diferentes alturas da árvore, com menor esforço e com redução de impactos nos frutos, principalmente se comparado com a operação da derriça. No mercado já existem equipamentos comerciais, tanto nacionais como importados, em uso em lavouras no interior do estado de São Paulo.

 Modelo de plataforma móvel de auxílio à colheita, com dois níveis de altura para colheita. (Figura: Poliana Cristina Spricigo).

Colheita mecanizada

A colheita totalmente mecanizada caracteriza-se pelo baixo uso de mão de obra, sendo utilizada para produtos destinados ao processamento, como citros, tomate-indústria e morango. Apesar da redução no custo, ainda é uma alternativa não utilizada para frutas e hortaliças destinadas ao mercado fresco, pois pode proporcionar injúrias e danos físicos consideráveis ao produto, com queda na qualidade. O campo a ser colhido deve estar planejado para este tipo de colheita. Possui como vantagens a viabilização da colheita mais rápida, com melhores condições de trabalho, reduzindo os custos com mão de obra e eventuais problemas com este. Como desvantagem, é importante mencionar a possibilidade maior de causar danos físicos a frutas e hortaliças no momento da colheita. A seguir algumas fotos exemplificando a colheita mecanizada para citrus.

Fotos: Marcos David Ferreira

Aprenda mais sobre a colheita mecanizada acessando os links abaixo:
http://citrusmh.ifas.ufl.edu/index.asp

No curso tecnologia pós-colheita, a colheita e alternativas para realização desta importante etapa são abordadas com enfoque em melhorias e aplicação de novas tecnologias.